Tuesday, June 14, 2005

THX 1138 e o lide do próximo milênio

O filme THX 1138 mostra uma sociedade padronizada e alienada. As pessoas buscam a produtividade máxima, mais porque são levadas a acreditar que isso é importante do que por vontade própria. Aliás, vontade própria é algo que elas desconhecem. Automatizadas, realizam trabalhos repetitivos e têm reprimidos quaisquer impulsos de pensamento autônomo. São controladas e monitoradas.

Essa é a tendência que mais chama a atenção e, ao mesmo tempo, mais assusta em THX 1138. Já apontada no livro 1984 de George Orwell, a idéia de uma sociedade em que existe o controle e a observação constante de seus membros é expressão do medo de perda da liberdade e da privacidade do ser humano.

No filme, não só as pessoas são filmadas e observadas, mas também são consideradas números, componentes num sistema que tem por objetivo a máxima produtividade. Seus próprios nomes são combinações de letras e números. Não existe significado, existe quantidade.

Até mesmo a natalidade é controlada. Não se pode ter filhos por escolha ou por vontade. Filhos são somente peças de reposição para o futuro e têm de vir em quantidade certa. Um dos instintos mais primitivos do ser humano, a reprodução, é duramente reprimido

THX 1138 assusta justamente por esses elementos. A despersonalização do ser humano significa perder sua individualidade. E as pessoas são individualistas. Não se imaginam vestidas totalmente de branco, caminhando no mesmo compasso e na mesma direção e tomando sedativos. A busca hoje em dia é pela expressão da personalidade de cada um e a perspectiva de perdê-la causa aflição na humanidade.

Por outro lado, é parte do ser humano buscar identificação dentro de um grupo. A moda por exemplo, gera a sensação de inclusão. Por mais que busquem sua personalidade, as pessoas frequentemente estão copiando alguém ou um coletivo. Talvez por isso o impacto do filme seja tão grande. "Não quero perder minha personalidade, mas caminho para isso aos poucos", pensam os telespectadores. Não por culpa das máquinas, mas de seu próprio comportamento. Portanto, THX não é só uma projeção do futuro controlado por máquinas, é também o futuro conseqüência do comportamento humano. As máquinas tomando o poder é um conceito muito Matrix. O ser humano perdendo controle da sua individualidade é THX.

Três tendências apontadas em THX 1138 que já existem hoje no nosso cotidiano são:

- O uso da banda larga. Ou seja, o acesso rápido e eficaz.

- O monitoramento por câmeras. Em elevadores, corredores, garagens e muitos outros locais. O aviso de "sorria, você está sendo filmado" já não é novidade. Aliás, em muitos lugares, já nem avisam mais...

- O acesso sem fio. Não é mais imprescindível estar conectado à parede. A telefonia celular já se desenvolveu aponto de enviar e receber diversos tipos de informação (texto e imagem além de som, por exemplo). Satélites também cumprem essa função.

O texto de Fernando Villela, por sua vez, apresenta algumas teorias desenvolvidas por cientistas ao longo do século XX e uma previsão do próprio autor para o futuro. Destas, destacamos o Cérebro Global de Russel e a Noosfera de Teilhard de Chardin, além da visão de Villela.

O Cérebro Global seria formada pela evolução de uma rede que interliga telefones, rádio, televisão, satélites e internet, a qual, a rigor, já existe. A comparação ao sistema nervoso central animal vem exatamente da organização em rede desses meios, semelhante à dos organismos vivos. Cada emissor-transmissor de informação seria uma sinapse eletrônica, e por a rede à qual servem estar em constante mutação e crescimento, as sinapses têm a possibilidade de explorar tatilmente não só a Terra, mas também outros planetas. As redes de comunicação, como se pode identificar facilmente, são o pilar da sociedade atual.

A proposta de Chardin é muito semelhante. Embora não trate especificamente dos meios de comunicação como agentes da rede, a lógica das sinapses em constante expansão é também aqui aplicável.

Chardin especifica que em determinado momento da história, as forças da mente, por conta própria, serão capazes de criar um espaço contínuo de troca, que culminará na formação da Noosfera. Não se fala em meios, mas tal espaço pode ser traduzido nos dias de hoje como a própria internet. A teoria da Noosfera ainda prevê que tal rede atinja tal nível de complexidade, que seja capaz de pensar por conta própria.

Villela é mais prático em sua previsão, falando no "homem digital" - nada mais que um ciborgue em sua a acepção moderna. Prevê tal interferência engenharia genética, informática e nanotecnologia no organismo humano, que existirão as condições para que se estabeleça mesmo uma forma de telepatia através de dispositivos eletrônicos, como o implante de chips no cérebro. O tom absurdo da previsão é devidamente explicado pelo autor: para ele, o ser humano atual já é um ciborgue, munido de celulares, cd players portáteis, próteses de silicones e outros tantos itens presentes no nosso cotidiano.

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